A
pesar de lembrar um pouco o pára-quedas, o paraglider, ou
parapente é na verdade um planador.
Por
isso não se pula de um avião com um paraglider, vai-se
ao topo de uma montanha, abre-se o equipamento e somente ai, o piloto
corre e decola de uma maneira muito parecida com a asa delta. Ao
invés de cair, o paraglider plana no céu.
Com
uma estrutura costurada em nylon impermeável, uma vez aberto
transforma-se numa aeronave capaz de planar por horas até,
subindo milhares de metros ao sabor das correntes ascendentes e
percorrendo dezenas e as vezes até centenas de quilômetros.
DE
ONDE VEIO ?
Tendo
surgido do desejo dos alpinistas europeus de descer as montanhas
que haviam escalado de maneira mais rápida. O paraglider
desenvolveu-se muito e hoje é um esporte que cresce cada
vez mais. Devido a sua facilidade de uso, aos poucos vai conquistando
um numero cada vez maior de adepto, contando com cerca de dois mil
praticantes.
O
esporte foi trazido ao Brasil pelo suíço Jerome saunier
em 1985 que fez o primeiro vôo de paraglider da Pedra Bonita,
no Rio de Janeiro. Na época, o pessoal da asa-delta torceu
o nariz para aquele pedaço de pano todo molenga que apesar
de voar realmente, afundava muito mais rápido que as asas.
Parecia que nunca aquilo iria realmente merecer o nome de vôo
livre. Hoje são capazes de fazer grandes vôos.
Para
ter uma idéia o recorde brasileiro de distancia voado é
de 227 Km batido pelo grande piloto brasiliense André Fleury
em dezembro de 1998.
É
PERIGOSO ?
O
respeito pelas forças da natureza e pelas limitações
do homem são fatores fundamentais. A probabilidade de acidente
causado por pane do equipamento ou por fator meteorológico
é quase zero.
Trata-se
de um esporte onde o nível de consciência do piloto
é quem manda na segurança. Na escola o aluno aprende
a interpretar as condições atmosféricas de
modo a ter um alto nível de segurança no vôo
que ele está prestes a fazer. A quase totalidade dos acidentes
catalogados foram causados exclusivamente por negligência
dos pilotos envolvidos.
Além
disso, a pró-delta procura desenvolver um sentido de segurança
que passa a fazer parte da cultura do piloto-aluno. Assim, todos
os pensamentos são dirigidos para os fatos que envolvem a
total consciência da capacidade técnica, física
e mental do piloto, bem como a interpretação aerológica
do momento e a compreensão do funcionamento e limitação
de seu equipamento.
O
paraglider desloca-se a uma velocidade média de 35 Km/h,
contra 55 Km/h da asa-delta. Isso o torna mais seguro principalmente
na decolagem e no pouso onde aquela necessidade de muito mais espaço
que o paraglider, que pode pousar em locais bastante reduzido.
TRAFEGO
AÉRIO
Prioridades,
como o trânsito de uma cidade, os pilotos precisam seguir
regras e normas para a sua segurança e tranqüilidade
na pilotagem.
As regras de trafego aéreo respeitam a seguinte prioridade
nas aeronaves.
- Aeronaves
mais lenta tem prioridade sobre aeronaves mais rápidas:
-
Aeronaves sem motor tem prioridade sobre as aeronaves motorizadas:
- Aeronaves
com menor altitude tem prioridade sobre as aeronaves mais altas:
- Aeronaves
de passageiros tem prioridade sobre aeronaves de carga:
Assim
estabelecidas estas prioridades, observamos que é de bom
senso que se um planador e um avião monomotor se encontrarem
em fase de aproximação em uma pista de pouso, o piloto
do avião aguarda no ar o planador pousar.
Assim também, se dois parapentes estão em fase de
aproximação para o pouso, o parapente mais baixo tem
prioridade, devendo o piloto mais alto tentar retardar sua aproximação,
dando chance para o piloto mais baixo pousar.
TRAFEGO
AÉREO
- Situação
1
1-
Como no trânsito, quando dois veículos se encontram
em trajetória de colisão, na mesma estrada, os
seus condutores desviam ambos a direita.
Em confronto, os dois pilotos devem alterar suas trajetórias
para a direita.
2- Assim na aviação, quando duas aeronaves estão
em trajetória de colisão, voando no mesmo nível,
em direções contrárias e o choque é
previsível, os pilotos devem desviar para a direita com
maior antecedência possível, fazer uma curva para
a direita de acordo com a aeronave. O desvio á direita
é regra internacional de vôo.
-
Situação
2
Caso os pilotos estejam voando em uma encosta e as trajetórias
de vôo, desde que em mesmo nível em direções
contrarias, evidenciam o risco de colisão, ambos desviam
para a direita, sendo o piloto que está com a encosta
a sua direita permanece em sua trajetória ( tem a preferência
)
Deve o piloto em sentido contrário, mostrar todo o esforço
para desviar à direita do parapente que tem a preferência,
se antecipando, liberando a trajetória, mesmo que tenha que
perder a situação de lift.
-
Situação
3
Se um piloto em trajetória de colisão, voando
em mesmo nível, encontra outro piloto voando em trajetória
perpendicular a sua, o piloto à direita têm preferência.
Mantém sua trajetória, sendo que o piloto que
voa em sua direção vindo da esquerda, deve antecipar
sua curva à esquerda e voar paralelo ou fazer uma curva
à direita e entrar por trás do parapente que tem
a preferência.
-
Situação
1
Diferente da conduta de trânsito, a ultrapassagem
aérea se dá pela direita, quando é inevitável
o vôo de ultrapassagem no mesmo nível. Quando uma
aeronave é mais veloz que outra, no caso do parapente,
o piloto que ultrapassa deve avisar o piloto ultrapassado a
manter distância e procedimento de segurança. O
piloto ultrapassado deve tentar observar quem lhe ultrapassa
e evitar neste momento a curva a direita.
 |
OBSERVAÇÃO:
na situação anterior, é necessário
que o piloto esteja atento e antes de executar uma curva
a direita, se previna e antecipe, olhando para trás
e o piloto que ultrapassa GRITE, BERRE, a sua intenção. |
-
Situação
2
Em um vôo de colina, a ultrapassagem, quando for
inevitável, deve ser feita entre o parapente ultrapassado
e a encosta, ou seja , por dentro, pois prevemos que o piloto
ultrapassado fará uma curva para fora da montanha, quando
tiver que reverter sua direção de vôo.
 |
Em
um vôo térmica, quem define o sentido de giro
na térmica é o primeiro que a encontra, ou
já esteja nela, sendo que os pilotos que chegarem
depois devem obedecer este sentido.
Os pilotos que chegarem na térmica onde já
se encontra um piloto, devem girar mais aberto e por fora
para tentar permanecer nela.
A preferência é do piloto que esteja girando
mais apertado, no centro, subindo mais rápido, devendo
os pilotos acima dele abrir suas curvas. |
ALGO
SOBRE FORMAÇÃO DE TÉRMICAS....
Vento
“legal”( 15 a 25 Km/h )
As
fontes geradoras que produzem um bombeamento constante, produzem
térmicas mais ou menos sem fim e, enquanto a termal sai
para as alturas deixando ar frio para trás.
Ventos
fortes
Se
as ascendentes não são muito fortes, temos aqui,
térmicas cizalhadas , isto é, quebradas devido a
força do vento. São ruins de enroscar e fáceis
de se perder o centro. Quando mais fortes, mais fáceis,
pois o tamanho das termais acaba vencendo o vento. Podemos constatar
isto por exemplo em Quixadá – CE. Lá, apesar
dos ventos fortes, temos térmicas mais ou menos organizadas
devido a sua potência. Já em Andradas, se o vento
estiver muito forte, observamos grande turbulência devido
à fragmentação do núcleo termal.
SITUAÇÕES
ANORMAIS, MANOBRAS AVANÇADAS EMERGENCIAIS.
O
vôo de parapente em condições de vento, onde
haja turbulência mecânica forte, em instabilidade
atmosférica, onde existam térmicas violentas, pode
resultar em eventuais colapsos e fechamento do velame.
Do
mesmo modo, o vôo a baixa velocidade no menor afundamento,
quando fazendo lift ou enroscando térmica, também,
pode resultar em eventuais estóis, especialmente de vento
forte com rajadas que lhe variem significativamente a velocidade.
Na pratica, todas essas situações anormais podem
ser induzidas deliberadamente e até praticadas.
Em
alguns paises se exige que o piloto execute esse treinamento durante
a sua evolução, enquanto que outros, especialmente
na Europa, ele é opcional e feito como um complemento.
Em ambos os casos, o treinamento é feito sobre a água,
com pára-quedas reserva, com instrutor mantendo comunicação
pelo rádio e com embarcação a postos.
O
que se pretende aqui é registrar como essas anormalidades
podem ocorrer, descrevendo-as e fornecendo aos pilotos as informações
necessárias para sair delas. É importante que você
tenha consciência de que não existe parapente a prova
de fechamento e colapso. Todo parapente, por mais seguro e estável
que seja, cedo ou tarde, ira fechar. O único jeito de evitar
isso é se voar em dia de zero vento e com atmosfera estável.
Mas ai, o vôo ira direto para baixo e logo você vai
enjoar. Quando isso acontecer, você vai começar a
se expor.
Normalmente
todo parapente reabre sozinho, ou quando muito com um pequena
ajuda do piloto. Quanto mais você encarar esses incidentes
como causa normal e quanto melhor você estiver preparado
para lidar com eles, mais seguro será seu vôo. Lembre-se,
entretanto, que nos testes de homologação, o Maximo
de giro que o piloto de teste experimenta é 720o, ou seja,
duas voltas. Existem parapente que se celebrizaram por não
saírem depois de entrarem em auto rotação
portanto, pense bem nestes fatores ao optar por um parapente.
Conheça pelo menos, o passado.
-
FECHAMENTO
ASSIMETRICO
( Fechamento da parte traseira da vela, bordo
de fuga )
Este incidente poderá ocorrer nas mesmas condições
de fechamento simétrico, sendo entretanto, mais comum.
Ë o tipo de fechamento que, normalmente iremos encontrar
em vôo e a amplitude do colapso será em função
da intensidade da pancada descendente. O mais usual e o fechamento
de um quarto a um terço do velame.
Quando
o fechamento é superior a dois terços, pode
haver um colapso total, seguido de um giro e logo a abertura.
Quando ocorre um fechamento assimétrico, o comportamento
do parapente será o de entrar em giro para o lado fechado.
Esse giro será tanto mais forte, quanto maior seja
o colapso e maior a velocidade de vôo. Por isso em turbulência,
voe lento.
Com
o fechamento da ordem de um terço do velame, a reação
será a de entrar em curva de modo perfeitamente controlável.
Quando o fechamento é maior que dois terços
as vezes não se consegue parar o giro. Nesta situação
há que ter cuidado com a ação dos freios
para não estolar o pouco de velame que resta aberto,
sendo indispensável o piloto transferir o seu peso
para o lado inflado, apoiando-se nos elevadores deste lado.
A
primeira ação do piloto, portanto deve ser a
de manter uma direção de vôo, parando
ou diminuindo o giro com o freio do lado oposto. Quando um
fechamento ocorrer, haverá perda de pressão
no freio do lado afetado e a reação normal poderá
ser a de atuar esse freio. No entanto, caso frouxo, isso não
adiantará mais nada e mantê-lo atuando só
acentuará a tendência de giro. Nessa situação,
há que parar o giro com o outro freio. Se você
estiver alto, não há porque se afobar. Olhe
para cima com calma, veja como esta o velame e, sem se descuidar
da direção com o outro freio, bombeie o freio
do lado fechado de modo rítmico e amplo. Isso, os parapentes
mais complicados, pois se comunicam internamente e o freio
oposto ( lembre-se que as células se comunicam internamente
e o freio oposto já ira transferir ar para o lado fechado
).
Quando
há um violento fechamento assimétrico que resulta
em colapso total do velame, a melhor ação é
manter os freios simétricos na altura dos ombros, aguardando
que eles readquiram alguma pressão para, travar o giro.
Essa posição dos freios parcialmente atuados
próximos aos ombros e a que o voador francês
Michel Werli chama de posição mágica.
Em qualquer perda de controle em que não se saiba exatamente
como agir, ele recomenda a posição mágica.
Normalmente, ela resolve, e o parapente acaba entrando em
uma situação conhecida.
Tenha
sempre presente que o importante, em qualquer situação
anormal, será sempre parar o giro para que ele não
acelere de modo a deixa-lo aturdido. Mas tenha cuidado. Não
engrosse no freio para não estolar o lado bom. Procure
sempre transferir o seu peso na selete para o lado contrario
ao giro. ( o que será quase desnecessário, caso
seus tirantes do peito sejam cruzados ).
O
fechamento assimétrico deliberado é feito do
mesmo modo que o simétrico, só que puxando o
elevador do lado que se quer fechara. Mantenha a direção
com o freio oposto e transferência de peso. Para reabrir,
solte o elevador e mantenha a direção, bombeie
o freio. Controle qualquer oscilação com aplicação
bem dosada dos freios.
Quando
o fechamento é muito grande pode-se deixar o parapente
curvar em giro lento e controlado de modo a se ter mais pressão
de ar para re-inflar. Pode-se também, provocar o fechamento
puxando-se duas ou mais linhas do elevador A em vez de to
elevador ( e ) inclusive recomendável, quando se provoca
a manobra sem muita experiência, faze-lo progressivamente
desta forma. O fechamento assimétrico é uma
manobra de Homologação.
O
fechamento assimétrico pode ser comparado a um estouro
de pneu dianteiro. A providencia primeira e evitar que o carro
perca a direção, saia da estrada e capote; sendo
a situação mais grave, quanto maior a velocidade
em que ocorrer. Com o parapente, ocorre o mesmo: há
que controlar a direção “para não
deixar o carro sair da estrada “.
-
FECHAMENTO CIMETRICO
( FECHAMENTO DO BORDO DE ATAQUE DA VELA )
Este
incidente é mais freqüente quando da saída
de térmicas. Ocorre obviamente também ao se
voar em áreas de rotor. Quanto menor o alfa ( trimmer
solto e freio aliviado ), mais vulnerável o velame
a uma corrente de ar descendente. A recuperação
é muito simples, basta atuar o freio de modo simétrico,
quando a abertura não ocorrer espontaneamente.
Para
se provocar deliberadamente o incidente, deve-se diminuir
o alfa e puxar, suave e progressivamente, os elevadores (A).
Haverá um ponto em que a pressão nos tirantes
diminuirá. Puxando-se um pouco mais, haverá
o colapso do bordo de ataque, quando o ângulo alfa ficar
negativo. Solte imediatamente os elevadores, e o velame dera
re-inflar.
Haverá
alguma oscilação longitudinal, controle-a com
os freios. Se o parapente apresentar alguma tendência
de giro, pare-o com o freio oposto. É manobra de homologação.
Em parapentes alongados, se for mantidos o comando de fechamento,
o velame poderá entrar em cravette com as pontas “batendo
palmas”.
-
DECROCHAGE
Decrochage em francês significa estol.
No parapente é o estol completo ( Full Stal ) no qual
o velame desinfla e tomba para trás a uns 45 graus atrás
do piloto no inicio da manobra e, depois, retorna a vertical,
onde fica de forma instável e violenta.
É
um incidente muito difícil de acorrer de forma inadvertida
pois, para provoca-lo, há que atuar os freios a limites
extremos ( preferencialmente com as mãos abaixo da linha
do assento para absorver os trancos que advirão ) e ai
mante-los. É uma manobra que pode ser usada por pilotos
muito experientes para sair de outras emergências do tipo
vrille (negativa), gravata, colapso total do velame, etc.
É
uma manobra que submete o velame e as linhas a esforço
muito violento, especialmente quando mantido prolongado, com
o velame planejado na vertical. A saída de um decrochage
é uma manobra muito delicada com o parapente abatendo
a frente, fazendo se necessário um perfeito domínio
do piloto, a fim de que seja evitada a entrada em outras situações
de risco ( fechamento assimétricos no avanço com
entrada em giro ).
Para
se sair de um decrochage, há primeiro que se aguardar
o parapente voltar para a vertical, mantendo-se a atuação
dos freios ( quando se entra na manobra, o velame fecha e cai
para trás, em seguida, o piloto também cai para
trás de costas por ação pendular, após
o que, o velame, mesmo deformado e planejando de modo violento,
volta para a vertical ).
Somente
após o velame retornar a vertical e que os freios podem
ser ativados lentamente, de forma precisa e controlada, permitindo
que o conjunto mergulhe a frente moderadamente para ganhar velocidade
e readquirir sustentação. Ao mesmo tempo se procura
corrigir qualquer tendência de avanço assimétrico.
É
preciso que seja perfeitamente compreendido que não se
pode atuar os freios descontroladamente na saída de um
decrochage, sob pena de nem se entrar em vôo e se voltar
a uma situação de estol, desta vez não
programado. Em hipótese alguma os freios devem ser liberados
com o parapente atrás e antes de voltar a vertical. Entenda-se
que pode haver uma propensão natural do piloto inexperiente,
ao tombar para trás, de se assustar e soltar os freios
nessa hora. Isso é o pior que pede ser feito.
O
velame, nesse caso, avançara de modo veloz e incontrolável,
podendo abater até abaixo do horizonte com serio risco
do piloto cair no seu interior. É fácil entender
o motivo desse avanço. Por ação do pendulo,
logo após o velame cair para trás, o piloto também
cairá. Se o freio for liberado nesse momento, haverá
um conjugado de movimentos, um binário de forças,
com o piloto recuando e o velame avançando no mesmo momento.
Mesmo
em uma saída perfeita, pela própria natureza do
avanço, que pode ser atenuado, mas não evitado,
surgem oscilações bastante delicadas que devem
ser controladas com precisão e sem exageros. O decrochage
é portanto uma manobra muito delicada e temerária
que não tem razão para ser comandado por quem
não tem experiência de um SIV.
Um
decrochage mal executado envolve um grande risco do envolvimento
do piloto com o velame caso haja um avanço descontrolado.
Na melhor das hipóteses, vai-se dar um tremendo tranco
nas linhas com prováveis danos estruturais. Existe registro
de caso de um parapente no Havaí que rompeu todas as
linhas depois de uma série de decrochages prolongados.
RESERVA
Este
é um equipamento para ser usado em emergência, quando
não houver mais possibilidade de recuperação
de uma situação anormal ou quando danos irreparáveis
resultarem de uma colisão em vôo. O uso irrefletido
do equipamento deve ser evitado pelos seguintes motivos.
- a
descida não terá qualquer controle de onde pousar:
-
o afundamento será grande:
-
poderá haver interferência do velame do parapente:
É
recomendável que cada piloto reflita periodicamente, sobre
o uso do sistema. O mais comum e a gente se esquecer dele, até
ser necessário usa-lo. E ai vai fazer uma diferença
enorme, já ter pensado antes sobre como faze-lo. Uma boa
sugestão é de vez em quando se pendurar com a selette
em algum lugar e praticar um pouco.
As
seguintes ações são recomendadas para se usar
o reserva.
- Olhe
para o punho.
-
Agarre o punho.
-
Puxe o punho e libere o saco com o paraquedas.
-
Olhe buscando um espaço vazio para onde deve jogar o saco,
se você estiver em auto rotação jogue o saco
na direção do giro.
-
Ache o tirante do paraquedas e comece a puxa-lo, isso facilitará
a abertura e caso o saco não se abra, você o terá
na mão para joga-lo outra vez.
Para
a selette que usam paraquedas no dorso, essas ações
devem ser adaptadas, pois por exemplo, não da para olhar
para o punho. Aos voadores que desfrutam do conforto do reserva
nas costas, a sugestão é de que devem pensar duas
vezes mais sobre como usa-lo. O punho deve ser achado de olho fechado
e a simulação pendurado e mais importante ainda.
Após
a abertura do reserva, o parapente deve ser recolhido ( puxando
pelos tirantes B ) e embolado para prevenir qualquer interferência.
Esse é um assunto sobre o qual já não existe
mais controvérsias. Ao se aproximar do solo evite movimentações
desnecessária, qualquer deslocamento de peso poderá
provocar oscilações perigosas.
Atualmente
também há uma tendência generalizada de se usar
bridão curto, de modo que o reserva aberto fique abaixo do
parapente. O uso do bridão longo embora assegure a abertura
do reserva acima do parapente, traz o risco de que a bolsa ao ser
lançada fique aprisionada no interior do mesmo.
Existem
vários tipos de paraquedas no mercado: os semi-esféricos
e os cônicos que podem possuir dupla camada com janelas ou
ápice rebaixado. Todos buscam combinar grande arrasto com
abertura rápida. O rebaixamento do ápice proporciona
a abertura rápida mas torna o velame mais vulnerável
a oscilações ( pendulo ). Os cônicos são
muito estáveis, mas precisam ser muito grandes para terem
o mesmo arrasto que um semi esférico menor, e não
comportam rebaixamento de ápice. Os de janelas combinam um
bom arrasto com a possibilidade do rebaixamento do ápice.
Finalizando:
-
Com o reserva pequeno o afundamento será maior.
- Com
o reserva grande o afundamento será menor.
Você
sabia dessas coisas? Cheque o tamanho do seu reserva para saber
o que esperar.
Se você não o tem e for compra-lo, a escolha é
sua. Só para saber um paraquedas reserva de salto tem aproximadamente
55m2 e assim mesmo desce forte.
Ultima
informação o reserva pequeno abre mais rápido.
PARACHUTAGEM
É
um incidente que ocorre quando o parapente entra em estol sem atuação
brusca e ampla dos freios. Ocorre principalmente quando se esta
a velocidade mínima e se perde sustentação.
Nessa
situação o parapente desce na vertical como um paraquedas
com o velame inflado mas meio murcho. Os parapentes modernos saem
ao se liberar os freios ( a maioria nem entra em parachutagem ).
Outros
exigem ação sobre os tirantes dianteiros ( denominado
ALFA para forçar o deslocamento: está ação
deve ser feita empurrando os elevadores para a frente, nunca os
puxando para baixo ) ou a atuação do acelerador ou
a liberação do trimmer. Cada parapente tem, no seu
manual, quando for o caso, instruções a respeito.
É manobra de homologação.
ESPIRAL
POSITIVA
É
o que se chama de spiral dive em inglês e 360 engajado em
francês. Em português, a melhor definição
talvez fosse curva centrifugada. É uma manobra de extrema
eficiência para se perder altura ( razão de descida
superior a 10 m/seg ) mas muito delicada por expor o piloto e o
equipamento a cargas G muito elevadas.
A
entrada em espiral é feita como uma curva normal com freio
sendo atuado de forma progressiva até que o velame chegue
quase na horizontal, sendo de grande valia a transferência
de peso para o lado interno da curva. Parapentes muito alongados
não gostam muito de entrar em espiral, podendo ser necessário
se iniciar a manobra a partir de um wing-over.
Durante
uma curva centrifuga desse tipo, a razão de giro é
muito grande e a velocidade pode chegar próximo dos 100 Km/h.
A aceleração centrifuga fará com que o piloto
gire violentamente na horizontal. Haverá uma tendência
da cabeça do piloto ir para trás, isso deve ser evitado
forçando o queixo para baixo.
Para
sair de uma espiral, há que atuar o freio oposto ao da curva
de forma suave e precisa de modo a se retornar progressivamente
a uma curva normal. É importante se ter em mente que devido
ao aumento expressivo da velocidade o freio ficará sensivelmente
mais pesado.
Para
esta manobra deve se levar em consideração uma boa
margem de altura para a sua execução. Não deve
ser esquecido que os parapentes modernos possuem apenas 18 linhas
e são essas linhas que devem estar em bom estado para garantir
a segurança.
Deve
ser evitado a execução de espirais com orelhas fechadas,
para não sobrecarregar as linhas que continuarem esticadas.
Do ponto de vista de estabilidade espiral, o comportamento de um
parapente em curva pode ser:
Estabilidade
Positiva: o parapente sai da curva com os freios soltos.
Estabilidade
Neutra: o parapente permanece na curva com os freios soltos.
Estabilidade
Negativa: o parapente aumenta a razão de curva com os freios
soltos.
Esse
comportamento pode, eventualmente, ser diferente caso se use uma
ancoragem que não aquela recomendada na homologação.
Normalmente os parapentes homologado ou são positivos ou
neutros.
VRILLE
Esta
é uma das manobras mais estranhas que o parapente pode executar.
É o flat spin do inglês e o vrille a plat dos franceses.
Termos usados nas duas línguas para definir uma manobra totalmente
anormal em avião. É a curva negativa da terminologia
alemã e espiral negativa italiana.
É
um incidente difícil de ocorrer de modo radical sem que seja
comandado, mais que pode ocorrer inadvertidamente de forma mais
branda. Para se comandar há que levar o parapente suavemente
a baixa velocidade até próximo ao estol, quando então
se solta o freio só de um lado.
O
parapente vai entrar em giro, tanto mais violento, com o centro
de rotação no piloto. No lado de dentro o velame estará
estolado por estar girando negativamente e não haverá
escoamento de ar no extradorso. O lado externo todavia estará
com velocidade e sustentação, mantendo uma pressão
interna suficiente para alimentar o lado estolado e mante-lo inflado.
Na
maioria dos casos no entanto, já na primeira volta o lado
interno dos parapentes muito alongados normalmente entrará
em colapso, podendo engravatar. Se você tem o habito de enroscar
a baixa velocidade e muito próximo do estol você deve
ter consciência de que qualquer pancada mais forte de turbulência
ou uma variação brusca de vento poderá estolar
o lado interno em curva e se sua reação for soltar
o freio nessa hora, você terá criado todas as condições
para entrar inadvertidamente na manobra.
Tanto
o parafuso chato, quanto o estol assimétrico e, até
mesmo, o fechamento assimétrico podem provocar o enrolamento
dos tirantes, bloqueando a atuação dos freios. E o
twit.
Havendo
altura ainda se pode pensar em uma tentativa de desfazer o nó,
o que normalmente é muito difícil. O melhor é
desistir e jogar o reserva. Essas três manobras, parafuso
chato, estol assimétrico e fechamento assimétrico,
são genericamente denominadas de auto-rotação,
quando a situação persiste por muito tempo.
Do
ponto de vista pratico, a não ser que o piloto tenha experiência,
se ele entrar sem querer em auto-rotação vai ter um
trabalho enorme tentando identificar depois o que realmente aconteceu.
Uma boa referencia é saber que o vrille o parapente fica
na vertical do piloto inflado.
A
saída teórica de um parafuso chato e feita levando
os freios para a posição mágica ( em casos
de manobra deliberada e prolongada a posição dos freios
deve ser na cintura ) e se preparando para evitar o avanço
assimétrico do velame ( a saída será como em
um decrochage com o velame abatendo a frente ) a medida que se libera
o freio suavemente.
Como
alternativa estrema pode-se comandar um decrochage com os freios.
Na saída do vrille, o velame tenderá a parar bruscamente
a rotação e abater a frente em sentido contrario enquanto
que o piloto por inércia continuará girando ocasionando
um eventual twist. Deve ser compreendido que o parapente é
um artefato voador naturalmente estável, não havendo
como entrar em vrilli sem que haja um comando próprio.
Todo
parapente sai do vrille ao se liberar os freios. O problema é
controlar o avanço assimétrico na saída. Todo
parapente, antes de entrar em vrille, sempre da um alerta ao piloto
do inicio do giro negativo. Havendo sensibilidade, é só
aliviar a mão de dentro da curva ou travar o avanço
do lado de fora para prevenir a entrada.
Normalmente
as entradas inadvertidas em vrille ocorrem com o piloto que, ou
não tem esta sensibilidade, ou que a tendo, voam no limite
do envelope de vôo. Ai é só uma escapada da
térmica ou uma rajada de vento para o mundo começar
a rodar.
GRAVATA
É
uma situação perigosa que pode ocorrer após
um colapso assimétrico do velame, quando uma das pontas,
obviamente a que fechou entra no meio das linhas formando a figura
de uma gravata. Não é uma situação possível
de reproduzir não havendo como treina-la. Deve-se saber que
o recurso para desfaze-la é puxar a linha do estabilizador
do lado fechado para desembaraçar o mele ( linha que normalmente
é de cor diferente ).
Pode
ocorrer que a gravata não maiores conseqüências
para o controle do parapente e não haja aumento excessivo
da razão de descida. Cabe ao piloto então a decisão
de posar assim ou não, se a situação for grave,
jogue o reserva. É claro que a primeira providencia ao ocorrer
uma gravata é manter a direção de vôo
e evitar o giro.
SEM
FREIOS
Esta
é uma situação de emergência que poderá
ocorrer caso uma linha de freio fique por qualquer razão
sem atuação. Nesse caso, o controle direcional poderá
ser mantido do seguinte modo:
Procure
deslocar o corpo na selete para induzir a curva, com o tirante do
peito mais aberto isso será mais fácil e, com tirantes
cruzados, quase impossível.
Puxe
a linha do estabilizador do lado que você quiser curvar.
Puxe
um dos elevadores, dianteiro ou traseiro do lado que quiser curvar,
tenha cuidado e atue com suavidade para não provocar um fechamento
frontal ou um estol, um bom conselho é, de vez em quando
treinar esse tipo de controle em vôo para conhecer bem o comportamento
do seu parapente, pois um dia pode ser necessário faze-lo
para valer.
Na
nossa opinião, a melhor ação é comandar
o parapente pelo elevador traseiro.
VENTURIS
As
gargantas que muitas vezes recortam as encostas posem canalizar
o vento aumentando sua velocidade por um efeito de “jateamento”:
GRADIENTE
DO VENTO
A
palavra “gradiente”a rigor pode ser usada para indicar
uma variação gradual de qualquer coisa, mais quando
um voador fala em gradiente supõem-se que esteja se referindo
ao da influencia do atrito com o relevo na velocidade do vento.
O
relevo breca o vento e quando mais alto mais movimento da atmosfera
libera-se dessa influencia. Portanto em geral a velocidade do vento
diminui quanto mais próximo ao solo estiver, a não
ser em determinados casos como os venturis.
LIFT
E ROTOR
Observe
alguns exemplos do comportamento de ventos de intensidades diferentes
ao contornos, obstáculos de diversos portes e formatos.
O
lado de uma montanha contra o qual sopra o vento é chamado
de barlavento, e o lado oposto é sotavento. Um bom recurso
para lembrar qual é qual consiste em imaginar que sotavento
do outro lado. E lembre-se principalmente de não voar a sotavento,
pois lá estará a sua espreita o Bicho Papão
pronto para te devorar como você verá no próximo
parágrafo.
A
barlavento das encostas o vento descreve um movimento ascendente
que chamamos de lift, que significa “levantamento”em
inglês e a rigor poderia se referir a qualquer tipo de ascendente,
mas no jargão dos voadores brasileiros designa só
as de encosta. Porem, a sotavento o movimento torna-se descendente
e turbulento, é o Bicho Papão ou melhor, o rotor (
veja ilustração na próxima pagina ).
O
rotor pode ter efeitos desastrosos sobre o vôo, provocando
colapsos sucessivos e irremediáveis, ou apenas assustar chacoalhando
um bocado. Isso dependerá da intensidade do vento, do formato
da origem e da distancia em que estivermos dela.
Quanto
mais veloz o vento mais forte e gordo será o rotor. Encostas
mais abruptas produzem rotor mais intenso, ao passo colinas arredondadas
podem nem chegar a forma-lo. Quanto a distância, claro que
quanto mais próximo voarmos da origem do rotor, mais sentiremos
seus efeitos
O
lado de uma montanha contra o qual sopra o vento é chamado
de barlavento, e o lado oposto é sotavento. Um bom recurso
para lembrar qual é qual consiste em imaginar que sotavento
do outro lado. E lembre-se principalmente de não voar a sotavento,
pois lá estará a sua espreita o Bicho Papão
pronto para te devorar como você verá no próximo
parágrafo.
A
barlavento das encostas o vento descreve um movimento ascendente
que chamamos de lift, que significa “levantamento”em
inglês e a rigor poderia se referir a qualquer tipo de ascendente,
mas no jargão dos voadores brasileiros designa só
as de encosta. Porem, a sotavento o movimento torna-se descendente
e turbulento, é o Bicho Papão ou melhor, o rotor (
veja ilustração na próxima pagina ).
O
rotor pode ter efeitos desastrosos sobre o vôo, provocando
colapsos sucessivos e irremediáveis, ou apenas assustar chacoalhando
um bocado. Isso dependerá da intensidade do vento, do formato
da origem e da distancia em que estivermos dela.
Quanto
mais veloz o vento mais forte e gordo será o rotor. Encostas
mais abruptas produzem rotor mais intenso, ao passo colinas arredondadas
podem nem chegar a forma-lo. Quanto a distância, claro que
quanto mais próximo voarmos da origem do rotor, mais sentiremos
seus efeitos.
Observe
bem as ilustrações anteriores para ter uma boa noção
do comportamento dos rotores, mas não se esqueça de
que só a experiência adquirida ao longo de um certo
de vôo permitirá avaliar quanto é possível
voar em uma região de rotor. Antes disso ele é Bicho
Papão mesmo, e adora saborear novas asas invertebrada, que
não tem espinhas. Como, os pilotos tem espinha? Pois é,
mas são pequeninas, da para mastigar.
FALSOS
FRONTAIS
O rotor
pode dar a impressão errada de que o vento está frontal,
cuidado!
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